Marina e o Partido Verde
Os que conhecem a Senadora Marina Silva sabem que ela não está blefando quando diz que ainda não decidiu seu futuro político. Independentemente de qual for sua decisão, já provocou uma reflexão necessária à política brasileira e, mais especificamente, ao Partido Verde.
Depois de alguns anos de aprimoramento institucional, num imenso esforço para colocar a “casa em ordem” na parte administrativa, há muito temos falado de uma reformulação programática que recoloque nossos longos anos de luta pelas questões ambientais dentro da atual conjuntura mundial, totalmente simpática ao ambientalismo.
Marina Silva surge como elemento catalisador desse processo. Quando foi fundado, em 1986, o PV teve sua origem no “ecologismo urbano” de Gabeira, Sirkis, Minc, Herbert Daniel e outros. Apesar da franca aproximação de Chico Mendes nos seus últimos meses de vida, sempre nos faltou uma aproximação maior com o chamado “ecologismo da floresta (amazônico)”, que Marina tão bem representa. Dessa síntese entre os dois principais tipos de “ecologismo” brasileiros, pode estar surgindo uma força política com uma agenda nova, que coloque o eco-desenvolvimento como centro do debate nacional e, mais ainda, que contribua para o aprimoramento do ecologismo internacional (antropofagicamente, como diria o Sérgio Xavier).
O que interessa na movimentação de Marina Silva e do PV é a possibilidade de vocalizar duas demandas urgentes da atualidade: o ambientalismo e a ética na política. E esse movimento não é de “esquerda” nem de “direita”, categorias que já julgamos insuficientes para analisar o mundo há muito tempo. E tampouco teremos a pretensão de estar “à frente”, como a máxima dos partidos verdes europeus. As conexões desse projeto (ainda sem desenho) são transversais e estão no mesmo ritmo das mobilizações nas redes sociais da internet, espaços privilegiados desse novo projeto.
E está bem claro para nós que (apesar de certa retórica saudosista já começar a aparecer na imprensa) Marina não é um novo Lula nem pretendemos ser o PT de 30 anos atrás. Não temos a ilusão de refundar algo com os mesmos preceitos do passado, na busca de uma espécie de “purismo ideal”, como foram as rupturas petistas do PSTU e do P-Sol. As categorias que nos movem são outras, o mundo é outro e nossas referências históricas são outras.
E, como dizia a máxima da conspiração aquariana: deixem o sol entrar brilhar!
Veja também:
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- A Teia do Girassol: Internet, Política e o Partido Verde
- Esperando Marina…
- Política e Internet: As Novas Conexões do Partido Verde
- Marina, Minc: dois ambientalismos























