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Política e Internet: As Novas Conexões do Partido Verde

Abaixo, transcrição da minha palestra de hoje no lançamento do novo site do PV-Ceará, em Fortaleza:

Primeiramente, gostaria de agradecer o convite do PV do Ceará, que é um partido que eu venho admirando há muito tempo, desde o tempo que escutei falar do governo Marcelo Silva em Maranguape e das inovadoras políticas aplicadas e reconhecidas internacionalmente. Depois, conhecendo o Marcelo, o Estevão mais de perto e sempre reconhecendo no PV-CE e no trabalho do Paulo Sombra, uma busca incansável por uma forma de comunicação mais moderna e mais eficiente.

Já é um fato novo e significativo que uma inauguração de site provoque um evento, coisa impensável há alguns anos, quando a internet surgia apenas como mais uma forma de propaganda. Os anos passaram, e hoje a relevância da internet para a política já ultrapassa as fronteiras do marketing eleitoral.


Quando em 2004, o norte-americano Howard Dean, pré-candidato democrata à presidência dos EUA, conseguiu arrecadar milhões de dólares pela internet e formar um grupo de voluntários que quase provocou um maremoto na política americana, vimos que alguma coisa estava acontecendo. Mas foi em 2008, quando Barack Obama nos EUA e o Gabeira no Rio, fizeram da internet o principal pólo de articulação e encontros de suas campanhas, vimos que não era mais uma questão de saber se a internet poderia ajudar uma campanha e sim de como as novas ferramentas possibilitam uma outra forma de fazer política, que é bem diferente das organizadas pelos milionários marketeiros.

Passamos por um momento de profundas transformações na comunicação entre as pessoas. Pela primeira vez na História da humanidade temos a disposição ferramentas simples e acessíveis que facilitam e potencializam a formação e a comunicação entre grupos. Da mesma forma que em 1400, a criação da prensa gráfica por gutemberg possibilitou a transmissão da informação aos indíviduos, e da mesma forma que o telefone possibilitou a facilidade de conversação entre duas pessoas, as novas ferramentas como os sites, blogs e, principalmente, as redes sociais como o Orkut, amplificaram e estão potencializando a comunicação de grupos. Se antes a comunicação era exclusivamente produzida e transmitida por canais de televisão para milhões de pessoas, hoje ela também é produzida por milhares de pessoas e transmitida para outras milhares.

Para todo o lugar que olhamos, nós podemos ver pessoas formando grupos de afinidade para interagir (e agir) uns com os outros. Seja para compartilhar a paixão pelo time de futebol ou para derrubar um governo corrupto ou para defender uma praça ameaçada. Por isso, os partidos e políticos que apoiarem e amplificarem a formação de grupos vão transformar a própria forma como a política é feita e pensada.

Hoje, no Brasil, são mais de 65.000.000 de usuários regulares da internet. O velho argumento que definia a internet como ferramenta de rico já não pode mais ser usado. Ao contrário, a internet é uma possibilidade real de romper as fronteiras sociais entre ricos e pobres, democratizando o acesso a informação e ao conhecimento. No Rio de Janeiro, já são mais de 6.000 casas de acesso à internet, quase todas próximas a comunidades carentes da cidade.

Foi com essa perspectiva em mente – a de romper as fronteiras sociais da cidade, as barreiras sócio-econômicas – que elaboramos a campanha online do Gabeira, que teve a peculiaridade de ser totalmente independente do núcleo de marketing tradicional. Ao apostar numa campanha descentralizada, presente em diversos espaços da internet, conseguimos criar pontos de atração para pessoas que anteriormente nunca teriam tido a possibilidade de atuar politicamente em conjunto. Jovens de periferia, generais reformados, surfistas da zona sul, idosos, militantes desiludidos da esquerda e da direita, todos encontraram na campanha caminhos em comum.

Nos três meses de campanha, conseguimos atrair mais de 9.000 voluntários pela internet de diferentes segmentos sociais da cidade e também o apoio de muita gente de fora do Rio. E foi uma campanha inesquecível, daquelas que não se via há anos no Rio de Janeiro. Quando as pesquisas diziam que estávamos com 4, 5 ou 6%, recorremos aos nossos voluntários para dizer (através de vídeos e textos): “ainda não acabou, não deixe que as pesquisas digam que você não pode votar no candidato que você gosta, o voto útil é o voto do inocente útil”. E eles espalharam a mensagem, disseram para os amigos – nas ruas e na rede – que iam votar no Gabeira e que, mais que isso, eram voluntários de uma campanha limpa, pacífica e renovadora. Em 3 semanas, o que parecia uma eleição perdida se transformou numa onda maravilhosa de entusiasmo e alegria, que nos empurrou para um segundo turno que parecia tão distante em determinado momento. Isso só foi possível graças à internet e as ferramentas que ela nos oferece.

A política está saindo das mãos dos marketeiros, pois as ferramentas disponíveis hoje na Internet não precisam de conhecimento técnico aprofundado nem tampouco custam a fortuna de uma propaganda na Televisão. Não vai dar mais para inventar candidatos, vendê-los como sabonete. Na internet, a imagem do candidato sofre um constante processo de avaliações e reavaliações. O que quero dizer é que a campanha não pode mais ser pensada só de cima para baixo, ela terá que ser constantemente adaptada, pois estará sendo confrontada pelos milhares de usuários que não vão pedir autorização para realizar suas próprias estratégias. Será preciso refletir (e agir) sobre o que está sendo dito, comentado e produzido pelos eleitores na internet.

Muitos dos atos mais significativos da campanha no Rio, surgiram de manifestações individuais ou de pequenos grupos não conectados ao núcleo oficial de campanha. Num momento difícil da campanha, a apresentadora Cynthia Howlett e o ator Dú Moscovis enviaram um belo e-mail para quinze amigos dando a ideia de saírem para uma caminhada na praia vestidos de verde, para mostrar apoio ao gabeira. Alguns desses quinze amigos não só gostaram da ideia como repassaram o e-mail para outros amigos e assim sucessivamente. O resultado: uma bela caminhada com milhares de pessoas pela orla carioca. Tudo começou com um simples e-mail. Houve também uma doação de sangue em massa, idealizada por uma eleitora que lançou o movimento numa das comunidades do gabeira no Orkut e que foi um dos mais momentos mais bonitos de toda a campanha eleitoral.

Essas e outras manifestações foram adotadas pela coordenação, sem maiores interferências, apenas ajudando a replicar com mais força. E isso significa que a produção da campanha já não é mais exclusividade da equipe de coordenação, ela é compartilhada com os eleitores. Esses eleitores que não querem mais participar do espetáculo somente como espectadores. São participantes.

Nossa derrota por uma margem pequena de votos (0,25%, mais ou menos 55.000 votos), na verdade, foi a vitória da mobilização contra os meios tradicionais de se fazer campanha. Nós equilibramos uma luta que parecia desigual contra as máquinas públicas (federal e estadual) a serviço do outro candidato. Tudo isso apostando na força da internet, apoiada, é claro, por um bom programa de televisão.

Mas é preciso ter em mente de que não existem fórmulas mágicas. Tudo isso não teria ocorrido se não houvesse o reconhecimento da autenticidade da nossa campanha, da forma como construímos junto com as pessoas uma relação de confiança e respeito. Relação que sempre esteve embasada em três princípios básicos para uma boa campanha online: comunicação, transparência e participação.

E em todos os lugares do mundo, a mobilização pela internet passa a ser uma variável fundamental. No Irã, milhares de jovens utilizaram a internet para vencer a censura do regime e espalhar as imagens das manifestações provocadas depois da contestada reeleição de Ahmadinejad. Na Moldóvia, protestos contra o governo foram convocados pelo Twitter, levando milhares de pessoas às ruas. E outros tantos exemplos recentes.

Esse é um grande momento. Para nós, verdes, é um momento mais especial ainda. A mesma geração que adota a internet como principal mecanismo de ação política é a mesma geração que tem abraçado a causa ambiental como principal tema de suas vidas. Essa união entre consciência ecológica e as novas ferramentas da Internet pode transformar o Partido Verde num grande pólo de atração para milhares e milhares de pessoas ávidas por transformarem seus desejos de um mundo mais verde e saudável em ação política.

Nosso desafio é criar os espaços onde eles possam atuar e debater livremente, mais pelos seus temas de interesse do que pelas alianças de poder. Nosso papel é possibilitar e gerenciar o encontro de toda uma geração ecologicamente consciente com os ideais da política verde.

Por isso, é com grande entusiasmo que participo da inauguração deste novo site do PV-CE, que expande a presença do partido para a sociedade. Que se coloca mais que um espaço partidário, e sim como um espaço cidadão, onde os temas dos verdes possam ser explorados constantemente.

Essa visão de transformar o site num ponto de encontro e debates para a sociedade é o caminho que estamos tentando levar a comunicação do PV no Brasil. Nossa política tem sido a de aprofundar a presença do PV na Internet, criando diversos pontos de contato, facilitando a comunicação, reforçando a transparência e estimulando a participação. Recentemente, a revista Veja publicou matéria sobre partidos e internet e citou o PV como único partido presente nas principais redes sociais do país.

A última reunião da Executiva Nacional teve cobertura em tempo real pelo Blog do PV e contou com a participação de filiados e simpatizantes de todo o país, interagindo e participando fazendo perguntas e comentários. Foi a primeira vez na história da política brasileira (e também não conheço nenhum caso estrangeiro semelhante), que um partido levou a reunião de sua direção nacional para a rede. Não é só uma mudança nos meios de comunicação, é uma transformação radical na forma de se fazer política.

Temos hoje também a RedePV, que a nossa própria rede social (uma espécie de orkut do PV). Nosso filiados já tem a oportunidade de interagir e debater com verdes de todo o país e entrar num dos diversos grupos temáticos que estão sendo criados. Além disso, as mensagens publicadas pelas pessoas na RedePV ganham lugar de destaque no Blog. No novo site oficial que está em fase de planejamento, vamos aprimorar esse compartilhamento na produção de conteúdo, abrindo espaço para as contribuições de todos (diretórios estaduais/municipais, filiados, parlamentares, prefeitos vão poder publicar suas matérias diretamente).

Os próximos anos vão separar os partidos políticos que estarão prontos para encarar o desafio dessa nova maneira de se pensar e atuar politicamente, e nós do Partido Verde estamos nos preparando para isso… Da mesma forma que, internamente – dentro do PV, os próximos anos vão dizer quais serão os diretórios que estarão prontos para esses novos tempos, e acredito que o PV-CE tem se destacado e está no caminho certo.

Veja também:

  1. Impacto da Internet nas eleições de outubro divide opiniões
  2. Internet vira panfleto em 2010
  3. Para estrategistas, 2010 será o ano das eleições nas redes sociais da internet
  4. A Teia do Girassol: Internet, Política e o Partido Verde

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1 COMENTÁRIO

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19/04/2010 at 03:17

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