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Twitter e Política

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Só se fala do Twitter. É a ferramenta social que mais cresceu nos últimos meses e num ritmo inédito. Em recente artigo no site Mashable, o especialista em redes sociais Ari Herzog comenta a utilização do Twitter pela equipe do Obama, que para ele não estaria de acordo com os princípios que têm regido a presença web do novo presidente americano: comunicação, transparência e participação. Ele acredita que Obama deveria prestar mais atenção em exemplos de sucesso como os dos Primeiros-Ministros britânico Gordon Brown (@DowningStreet) e canadense Stephen Harper (@PMHarper).

No Brasil, a utilização do Twitter ainda não está massificada mas já somos o quarto país em número de acessos. A utilização desta ferramenta ainda é embrionária (cerca de 500.000 usuários brasileiros), mas já é o suficiente para começarmos a dar mais atenção a ela. A jornalista/professora/pesquisadora Raquel Recuero recentemente escreveu uma nota dizendo que, a principio, no Brasil “o Twitter é uma ferramenta onde a informação é super valorizada” e que a “informação pode dar seguidores, valorizar sua conta, construir reputação e outros valores de capital social”. É o que ela chama de “broadcast do eu”.

Durante a campanha do Gabeira para a prefeitura utilizamos o Twitter para alimentar nossa rede de multiplicadores (os nossos broadcasters). Foram 128 postagens para 258 followers. Depois de um início no qual ingenuamente tentávamos responder a pergunta primordial do Twitter (“o que você está fazendo agora?”), utilizamos a ferramenta para comunicar a agenda de campanha e, principalmente, para ressaltar conteúdos relevantes da nossa presença na web (funcionando como uma espécie de agregador dos conteúdos espalhados nas diversas redes nas quais a campanha estava presente). Os “seguidores” do Twitter tendem a responder rapidamente, muito mais do que, por exemplo, no Orkut. Dessa forma, é um excelente instrumento de municiamento aos seus “seguidores”.

No caminho proposto por Herzog, ele fala também da importância da retribuição aos followers, ou seja, seguir quem te segue. Além de ser simpático, abre um canal direto entre partido/político (ou sua assessoria) e o eleitor. Dessa forma, ressalta a utilização do Twitter (dentro e fora do período eleitoral) também como uma espécie de “help desk”, que possibilite perguntas e respostas rápidas, facilitando a comunicação, reforçando a transparência e estimulando a participação. Mais que isso, abre a possibilidade de uma comunicação mais direta – e transparente! – do que o e-mail (parte problemática de uma campanha, pois você tem que lidar na maior parte do tempo com pedidos de emprego, pegadinhas de jornalistas disfarçados, provocações adversárias e outros “cavalos de tróia” das campanhas online).

Quanto aos partidos políticos, a ferramenta ainda é pouquíssimo utilizada. Hoje, a partir da Secretaria Nacional de Comunicação, lancei o Twitter do Partido Verde ainda como experimentação das possibilidades que a ferramenta pode abrir. A ideia é fazer do Twitter um espaço democrático de transmissão de informações e recebimento de demandas.

Enfim, o Twitter promete virar febre no Brasil e, se bem utilizado, poderá representar mais um passo para ampliar o espaço público online. Como qualquer outra ferramenta social da web, ela não pode ser considerada isoladamente, mas que pode e deve ser melhor utilizada por partidos e políticos como forma de reduzir o vácuo de comunicação entre a sociedade e os poderes constituídos.

Veja também:

  1. A revolução pode não ser “tuitada”
  2. A Teia do Girassol: Internet, Política e o Partido Verde

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